quinta-feira, 6 de junho de 2013

Há um ano atrás

Por esta altura, há exactamente um ano atrás, eu começava a sentir as dores de parto. De início não soube identificar, deixei o jantar a meio e fui 'só ali esticar-me um bocadinho'. Impossível serem dores de parto, acabei de sair da consulta e marcamos indução porque as coisas ainda estão muito atrasadas. Impossível! Duas horas depois encolhia-me na cama em posição fetal enquanto o pai telefonava para o hospital e tentava  explicar o que eu sentia. O recado foi claro: " venham para cá, está em trabalho de parto!" WTF??? Como assim? Eu acabei de sair daí, estava tudo calmo cá dentro. CTG sem uma única contracção... Como assim? 
Enquanto ouvia o telefonema mudei de posição e já estava debruçada sobre a mesa da sala de unhas cravadas na madeira... Com tantas dores. Hoje já não consigo descrevê-las com exactidão, se conseguisse acho que não me passaria pela cabeça ter outro filho. São más, muito más... É só isso. 
Dei entrada no hospital perto das 2h da manhã, rebentaram-me as àguas, eu implorei uma epidural, eu exigi uma epidural, eu chorei por uma epidural. Cheguei a dizer ao pai: 
- Vai lá fora e chama alguém. Quero uma epidural agora, não quero saber se tenho um dedo ou vinte de dilatação, ou me dão a epidural agora ou que se lixe o parto normal e quero uma cesariana AGORA!!!!
- ssssim querida, sim, vou tentar.

Sei que ele estava uma pilha, mas não transpareceu. As enfermeiras disseram-me algumas vezes que ele estava nervosissimo, mas foi calmo, assertivo, empurrou a minha barriga, agarrou-me a mão, respirou comigo, incentivou-me, foi a minha bengala. 

O parto foi muito rápido ou pelo menos assim me pareceu e às 7h47m do dia 7 de Junho de 2012 o meu mundo mudou para sempre. Eu dei vida a um Ser e renasci enquanto pessoa,mulher... Tornei-me Mãe. Não consigo explicar exactamente o que senti quando recebi aqueles 3.250kg de gente nos braços. Nada do que eu disser é suficiente para descrever aquele momento, tão pouco este último ano- o melhor da minha vida! 
Gosto muito de ser Mãe, por mim podem vir mais um ou dois, que venham com saúde é tudo o que quero. O resto eu aguento, as noites sem dormir, as cólicas, as birras, a falta de tempo para tomar banho, a preocupação constante. Vale tudo. Basta um sorriso, basta um esgar, basta um olhar do ' nosso' ser, da nossa cria, do nosso Amor maior que tudo, do nosso filho. 
Há um ano a minha vida estava prestes a mudar para sempre. 


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Está uma pessoa preocupada com merdas...

O pequeno Rodrigo não resistiu e partiu hoje. Queria escrever uma data de coisas bonitas em jeito de homenagem, mas não existe nada de bonito em tudo isto. O Rodrigo sofreu, definhou, lutou, quando, se este mundo fosse justo, ele teria brincado, crescido...
Eu estive presente num evento por ele. Tornei-me dadora de medula por mim e por ele e por muitas outras pessoas. Sempre o quis fazer, fui adiando e entretanto ouvi a história do Rodrigo que me tocou assim como a tantas pessoas. Fui lá na esperança de poder ajudar, se não a ele, então a outros. Mais do que o sentimento de pertença e de união que temos quando participamos nestas coisas, pensei mesmo que tanta oração, tanta fé, tanta gente a torcer por ele não poderia ter este fim. A verdade é que a vida tem tanto de bom como de filha da puta e nós queremos sempre acreditar em finais felizes, especialmente quando estamos a falar da vida de uma criança, mas muitas vezes, muitas mais do que o aceitável, isso não acontece e não há orações, mães lutadoras ou boas energias que salvem quem merece ser salvo. 
Hoje abracei o meu filho com um bocadinho mais de força, besuntei-o de beijos um pouquinho mais, cheirei-o até não conseguir mais inspirar mais porque o Amo muito, porque tenho um medo terrível de que alguma coisa de mal lhe possa acontecer e porque hoje há mais uma Mãe que não vai poder fazer o mesmo à sua cria. 
Hoje quando pedir a Deus que guarde sempre o meu filho, que lhe dê sempre muita saúde e seja sempre feliz vou dedicar uma última oração ao Rodrigo à sua mãe porque é a única coisa que posso fazer... 

Espero que estejas mesmo num lugar melhor.



Hoje tirei o dia para tratar de mim. Não fui a um Spa, não. Mas devia... 
Passei a manhã no dentista. Higiene, consulta de rotina e decidi ver soluções para endireitar os dentes. Gostei muito das sugestões, pelo menos até me chegar o orçamento... Aí acho que vou achar tudo péssimo, mas veremos. A consulta com a higienista foi como ir ao quadro numa aula de matemática do 7o ano. Sabemos que vamos levar nas orelhas e sair de lá de rabinho entre as pernas. Deu-me inclusivamente um castigo e acabei com a boca toda cor de rosa e cheínha de vergonha- 'vou-lhe fazer o que fazemos às criancinhas', diz ela. Sonsa! 
Eu escovo os dentes 3 a 4 vezes ao dia. Parece que estamos bem em quantidade, mal em qualidade. Tudo bem, vamos lá resolver isso que eu não quero mais ralhetes, sim doutora?!
Agora tinha consulta no otorrino, para ver se de facto tenho audição selectiva ou se ouço mesmo mal. Saber como lidar com a filha da mãe da sinusite que este ano está a dar cabo de mim... Mas parece que não há consulta para ninguém. Acho que 40 min. de espera é suficiente, não?! É pois, vou-me por na alheta que o meu tempo também é valioso e se o Sr. Dr. não está interessado em ganhar mais €60 eu vou dar-lhes melhor uso.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Consulta dos 12 meses

O que a pediatra diz VS O que eu ouço

"Ele já está quase a andar sem ajudas"
Vai-te preparando, hás-de correr este mundo e outro.

"Ele é um bebé muito curioso e atento, nunca nenhuma criança tinha descoberto esse fio aí solto, pois ele foi dar com ele."
Tem cuidado. Tem muito cuidado! Este miudo vai-te pregar sustos de morte!

"Deixe-o explorar a comida, brincar... É importante que desenvolva a capacidade de comer sozinho o quanto antes"
Muito merda vais tu limpar, filha! 

"Mas ele ainda bebe biberão á noite??? Mas sabe que ele já tem capacidade de fazer o jejum nocturno e o facto de continuar a engordar mostra que não tem fome, pode ser só o hábito..."
Estás a mimar a criança! E depois queixa-te que não dormes nada de jeito...

"Essa tosse seca e irritativa depois do biberão é refluxo- o estomâgo ainda está cheio do jantar e ele bebe o biberão apenas umas horas depois... É natural que tenha refluxo e que algum do leite lhe pinge na traqueia provocando irritação."
Eu não te avisei já que o estás a mimar?? Não é fome! É hábito! Se te oferecerem uma tablete de chocolate e não estiveres em dieta também não vais recusar, pois não?! 

"Ele já pode comer da comida dos pais."
Está na hora de cortar no sal. 

"Ele é uma criança tão dada, não estranha ninguém, nem a mim que lhe faço estas maldades todas"
O teu filho é uma " Maria-vai-com-todos"! 

"Não o leve já às vacinas, deixe ver se o nariz pára de pingar e se esta tossezinha se vai embora"
Cheira-me que vem lá outro bicho...É melhor começar a rezar! 

"Muito cuidado com as piscinas"
Está na hora de o inscrever na natação e de lhe comprar umas braçadeiras. 

"Ele é mesmo muito giro!"
O teu filho é o bebé mais lindo do mundo. 


E é isto que se retém da consulta dos 12 meses. 







Teste, um, dois...ainda está aí alguém?

Grandes férias estas minhas, ãh?! 
Não me vou alongar muito em explicações mas faltava-me a vontade, não tive nada de interessante para dizer. A minha vida resumiu-se, em grande parte, durante este período de afastamento dos meus divaganços, a estar em casa a cuidar do poço de vírus em que o meu filho se transformou durante 2 semanas, a desesperar porque queria bom tempo, depois desesperei porque ele chegou e eu estava "presa" em casa, depois vêm as neuroses e as birras, minhas e não do pequeno F. como seria expectável. Birras porque durmo pouco há demasiado tempo, porque me preocupo demais tentando manter o ar de descontração, porque trabalho menos do que devia, porque sinto o peso do mundo sobre as costas, porque tenho demasiados momentos para pensar em como podia fazer mais e melhor... Birras e mais birras, pronto!

Agora, de volta à normalidade, sinto falta de escrever e como durante este período de ausência tive reclamações por não andar aqui a fofocar, decidi por de lado as minhas dúvidas sobre se deveria ou não continuar a Divagar e vamos lá a isto.
Então e a vidinha, como corre? Corre bem, obrigadinha. 
O meu pequeno terrorista, assim apelidado pelas educadoras, está prestes a fazer 1 ano. UM ANO! Está eléctrico, prestes a andar pelo próprio pé, já tem 8 dentes, diz Adeus, bate palminhas ao som das músicas, fala pelos cotovelos (embora ninguém o entenda, lá chegaremos), chama por mim (Ma-mãaa) quando está aflito ou quando depois de uns minutos de choro decide jogar a última cartada, aquela a que nenhuma Mãe resiste e saí-lhe um Ma-mãaaa perfeitinho. Já foi à praia imensas vezes e eu já percebi que só voltarei a ter uns dias de praia alargatados, como eu gosto, quando ele estiver na adolescência. Até lá não sento o rabo na areia durante mais de 30 seg. Dou-me por feliz que ainda não tenho que correr atrás dele, e portanto não me abano que nem gelatina pelo areal, por agora ainda o alcanço com relativa facilidade sem me envergonhar. Ainda tenho uns meses para abater estes malditos quilos que assentaram arraias nas minhas ancas. 
Já sabe brincar, empurra carrinhos, balança o corpo quando os brinquedos cantam, abraça-se aos peluches e encosta a cabecinha, tal como faz connosco. É um doce, pá! Tenho o filho mais lindo do mundo. E que ninguém me corrija!

O trabalho também corre bem. Há muitos projectos em filinha indiana prontos para eu os tirar da gaveta e decidir fazer o que gosto, o que quero, sem medos e sem dúvidas. 
Já voltei a ter o peso que tinha antes de engravidar, o que não quer obrigatoriamente dizer que eu de momento seja uma sereia, que não sou. Ainda há aqui muito trabalhinho a ser feito. 
Em termos de dinâmica familiar e vida conjugal a coisa não está propriamente fácil. Há dias em que só nos apetece apertar o pescoço um ao outro. Cada um fala e não diz nada. Andamos ali entretidos com tretas e agora não há tempo para tretas! Eu não sei como é que há mulheres que têm filhos para prender os homens... ao fim de 1 ano chego à conclusão que são precisos quilos de Super Cola 3 para manter uma relação depois do nascimento de um filho. A paciência que tinhamos um para o outro tem agora que ser dividida com mais um ser, o tempo idem e o Amor, esse não se divide, tem sim que dobrar. Mas  isto com calma e boa disposição tudo se resolve. É o que tem acontecido. 
E agora vá, dêm-me as boas-vindas que eu prometo deixar-me de tretas e por este diário virtual a mexer novamente. 


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tenho a sensação de que não faço mais nada durante 12 horas que não seja sopa, pescada cozida, massinhas, arroz, puré de batata, legumes salteados... A minha Bimby está a levar a 'esfrega' da sua vida e se resistir mais 6 meses é oficialmente a melhor compra de sempre.
O facto de passar a vidinha entre tachos e panelas, a fazer comida para o F. com muito Amor e carinho não significa necessariamente que ele a coma. Nããão, a criança é de gostos mais simples. Uma papa docinha faz-lhe as delícias. Comida da mamã equivale a muita choradeira, muita comida a voar pela cozinha, muita sopa nas pestanas, nos ouvidos, em todo o lado, menos dentro da goela.
Eu acho ( ACHO mas posso estar enganada) que até sou uma rapariga desenrascada na cozinha, que até faço umas coisinhas jeitosas, mas se calhar é mesmo só para o paladar dos graúdos.
A hora da refeição é um tormento, não sei se mais para mim, se mais para o F., ou se até mesmo para o Pai que fica na sala a ouvi-lo chorar, ouvir-me deseperar e ouvir o Douradinho a queixar-se de que precisa de ir à rua.
Eeeee por falar em Pai, hoje pedi-lhe socorro e ele socorreu... E a criança ía tendo um colapso nervoso. Com ele não há cá 'farinha'. Não há choro que o faça desistir, não há ranho que o desmotive... Com ele come-se tudo e ponto final. E comeu! E eu enrolei-me toda no sofá enquanto ouvia o meu filho berrar e partir-me o coração em mil bocadinhos.
Eu não sou a mãe facilitadora e permissiva. Quem me conhece sabe que não sou, mas não tenho estômago para aquilo. Ou se calhar AGORA já não tenho... O que ao final de centenas de refeições até é compreensível. Eu só quero é que aquilo acabe rápido.
São todos os pequenos almoços, almoços, lanches e jantares a meu cargo e acho que nos últimos dias ( que tem sido os piores de sempre) o F. já sente a minha ansiedade e rejeita a comida logo na primeira colher.
Amanhã é um novo dia e eu JURO que vou respirar fundo, trautear uma música zen na minha cabeça e entrar na cozinha carregada de optimismo.

A somar ao maravilhoso humor à hora das refeições, o Baby F. está novamente com o bicho, ou serão alergias? Ou serão só os dentes? Ou terá sido o vento dos últimos dias? Uma pessoa enlouquece a pensar o que pode fazer, o motivo de tanta tosse... Diz que se mamarem ficam com mais defesas, que se mamarem em ambientes calmos serão crianças equilibradas á hora de comer e não são cá precisos aviõezinhos... Pois, diz que sim...